Introdução Discussão Pedagógica Atividades

A Fundamentação Teórica



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Apesar das teorias de Piaget, Vigotsky e seus seguidores, que defenderam a aprendizagem baseada na interação com o ambiente, os objetos do cotidiano, a cultura socio-histórica e principalmente com outros indivíduos, a cultura escolar ainda contempla uma série de tradições que privilegiam determinados padrões de aprendizagem, que têm sido questionados e exigem mudanças com o objetivo de alcançar um processo mais abrangente, plural e que atenda as diversidades de cultura, comportamento, e características próprias de cada aluno de uma sala de aula ou de uma classe.



Jean Piaget
1896-1980

"A inteligência humana somente se desenvolve no indivíduo em função de interações sociais que são, em geral, demasiadamente negligenciadas."

 

A racionalidade exige que tudo seja organizado, sintetizado, hierarquizado, explicado e o pensamento lógico-matemático, dedutivo, quantificável, seqüencial, demonstrável são padrões arraigados no cotidiano escolar de forma já cristalizada que muitas vezes é difícil até mesmo identificá-los e compreendê-los.

Ainda hoje e de um modo geral, as experiências, vozes e histórias dos alunos, que dão sentido às suas próprias vidas, não são levadas em consideração no processo de ensino-aprendizagem.

Segundo o Professor João Beauclair, (em www.projetoeducar.com.br/)


"Na verdade, a presença dos alunos na escola se reduz a uma participação insossa, vinculada a um cotidiano onde o que se pretende é apenas fazer valer os processo de transmissão e imposição de um conhecimento estanque, distanciado da realidade e, principalmente, imposto pela cultura escolar vigente".



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As práticas escolares tradicionais possuem duas características que descrevem perfeitamente o modelo:

  • a primeira está ligada essencialmente aos modelos dominantes de construção do conhecimento, onde delimitação, parâmetros e coerência são os focos centrais.
  • a segunda está relacionada aos procedimentos adotados, ou seja, o conhecimento é livresco, tratado como transmissão unidirecional, através da exposição oral, da leitura linear, da repetição e da memorização.
Porém se entendermos o espaço escolar como um espaço destinado a embates ou discussões, e se acreditarmos que o fazer pedagógico é uma ação de política cultural, podemos defender a idéia que a escola é um local privilegiado para a ampliação das habilidades e capacidades humanas, de modo a contribuir para que os diferentes indivíduos que nela desempenham seus papéis sociais possam elaborar suas intervenções na formação de suas próprias cidadanias.

   

Metodologias tradicionais trabalham os conteúdos escolares de maneira fragmentada, "encaixotando-os" o que conduz a uma organização segmentada de conteúdo e tempo escolares.



"Este modelo educacional é o que mais se identifica como prática de ensino e menos com a habilidade de efetivamente educar". [Paulo Freire]

 

A Pedagogia de Projetos começou a ser conhecida no Brasil, a partir da divulgação do movimento conhecido como "Escola Nova", contrapondo-se aos princípios e métodos da escola tradicional. Esse movimento foi resultado de pesquisas de grandes educadores europeus como Montessori, Decroly, Claparède, Ferrière e outros, e teve, na América do Norte, dois grandes representantes: John Dewey e seu discípulo, William Kilpatrick. Foram estes americanos que criaram o "Método de Projetos" e suas propostas pedagógicas foram introduzidas e disseminadas no Brasil principalmente por Anísio Teixeira e Lourenço Filho [Duarte, 1971].

 

"Significa repensar a escola, seus tempos, seu espaço, sua forma de lidar com os conteúdos das áreas e com o mundo da informação".
[MEC/SEAD, 1998].

 

A "Métodologia de Projetos" de Dewey e Kilpatrick, é considerada um "método" que deve passar a ser uma postura pedagógica. A Pedagogia de Projetos tem sido encarada, de alguma maneira como mais um modismo na área educacional, já que praticamente todas as escolas trabalham ou dizem trabalhar com Projetos nos dias de hoje. Porém a falta de conhecimento sobre essa prática tem levado o professor a conduzir atividades totalmente incipientes rotulando-as de Projetos.

 

Mais do que uma técnica atraente para transmissão dos conteúdos, como muitos pensam, a proposta da Pedagogia de Projetos é promover uma mudança na maneira de pensar e repensar a escola e o currículo na prática pedagógica. Com a re-interpretação atual da metodologia, esse movimento tem fornecido subsídios para uma pedagogia dinâmica, centrada na criatividade e na atividade discentes, numa perspectiva de construção do conhecimento pelos alunos, mais do que na transmissão dos conhecimentos pelo professor.

A Pedagogia de Projetos surgiu da necessidade de desenvolver uma metodologia de trabalho pedagógico que valorize a participação do educando e do educador no processo ensino-aprendizagem, tornando-os responsáveis pela elaboração e desenvolvimento de cada Projeto de Trabalho.


"Os Projetos de Trabalho contribuem para uma resignificação dos espaços de aprendizagem de tal forma que eles se voltem para a formação de sujeitos ativos, reflexivos, atuantes e participantes". [Hernandez, 1998].

 

Dimensionar o currículo escolar por projetos de trabalho significa uma ruptura com o modelo fragmentado de educação.

Acrescentamos a essa metodologia uma reflexão sobre a realidade social, orientando os Projetos de Trabalho para uma reflexão sobre as condições de vida da comunidade que o grupo faz parte, analisando-as em relação a um contexto sócio-político maior e elaborando propostas de intervenção que visem a transformação social [Freire, 1997].

 

A educação através de Projetos permite uma aprendizagem por meio da participação ativa dos educandos, vivenciando as situações-problema, refletindo sobre elas e tomando atitudes diante dos fatos. Ao educador compete resgatar as experiências do educando, auxiliá-lo na identificação de problemas, nas reflexões sobre eles e na concretização dessas reflexões em ações.


Dewey acreditava que,
mais do que uma preparação para a vida, a educação era a própria vida!

 

A aprendizagem passa então a ser vista como um processo complexo e global, onde teoria e prática não estão dissociados, onde o conhecimento da realidade e a intervenção nela tornam-se faces de uma mesma moeda. A aprendizagem é desencadeada a partir de um problema que surge e que conduz à investigação, à busca de informações, à construção de novos conceitos, à seleção de procedimentos adequados.

 

Leitura complementar



Um programa muito interessante da TV Escola
Complemente sua leitura!







  1. Educação por Projetos: desafio ao educador ...


  2. A Pedagogia de Projetos na Implantação da Escola Plural.


  3. A Teoria das Múltiplas Inteligências e a Formação do Cidadão do século XXI.


  4. Aprendizes do futuro: as inovações começaram.


 

Questões de Reflexão
para discussão no fórum

Participe do fórum sobre este assunto!









  1. O que, por quê e como você ensina a seus alunos?


  2. O que você pensa e sente frente às novas práticas educativas exigidas pelos PCN's?


  3. Vc vê alguma diferença entre "aprendizagem por projetos" e "ensinar por projetos"?


  4. De que modo Vc acha que a Pedagogia de Projetos está relacionada com a Teoria das Múltiplas Inteligências?

 

Síntese Conclusiva


Ao final da discussão, no fórum, você deverá enviar, através do formulário abaixo, sua síntese conclusiva sobre o tema, observando o calendário de atividades previsto na agenda do curso.

Comentário:



Fundamentação A Questão Organizando Integrando


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